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O artista gráfico

Constantino Neto

por Marina Noelle Souza Borges e Otacílo Borges Jr.

 

Constantino Neto, conhecido no meio publicitário como "Brega,” teve sua formação profissional como autodidata.

Nasceu em Morrinhos - GO, e sua vocação foi despertada pelo artista que tinha na sua cidade, Mário Pacheco que desenhava murais e em paredes de botecos.

Mudou-se para Goiânia em 1964, tendo trabalhado em diversas áreas para ajudar em casa, uma vez que era o primogênito da família e tinha mais 7 irmãos. Em 1969, teve a oportunidade de começar na propaganda, como office boy, na Cannes Publicidade, onde teve a oportunidade de aprender sobre sua profissão de Publicitário, como na época não exigia formação acadêmica, ele se profissionalizou sendo autodidata.

Como o seu foco era a arte, todo tempo ocioso estava no Departamento de Arte, lavando pincéis, limpando prancheta e ajudando em alguma coisa, logo foi promovido a Assistente de Arte, depois Arte Finalista. Em 1974, já era Diretor de Arte, devido seu esforço e talento, passou a fazer várias campanhas publicitárias, onde todo processo de criação era feito à mão na prancheta. No decorrer dos seus anos de profissão, foi se qualificando de acordo com a tecnologia para não perder sua posição profissional. Assim, trabalhou por 48 anos, se tornando referência entre várias gerações que passaram no meio da Publicidade e Propaganda.

Em toda sua trajetória, a teve que fazer vários cursos de fotografia, pois a propaganda exigia muito deste conhecimento, cinema e arte gráfica. Com isso a fotografia virou hobby em eternizar memórias da família e amigos, imagens de natureza, eventos e cidades.

Fotografia

por Edinardo R. Lucas

O sufixo grafia exprime a ideia de escrita, de registro e estudo. Todas essas noções são necessárias à criação de imagens/fotos.

A arte de fotografar envolve sensibilidade e luz. A luz que chega a uma superfície sensível, marcando com diferentes formas, cores e contrastes. Assim se faz um fotograma, A técnica é sim importante e dá qualidade à imagem gerada. Mas há algo mais sobre a sensibilidade.

O registro do momento envolve a sensibilidade de quem olha, de quem clica. As imagens são registro de momentos, memórias e fatos que nunca mais se repetem. O ato de registrar é bem mais que um clique é o primeiro passo para a criação de um documento, de um tempo. 

O trabalho de Constantino Neto documenta riquezas naturais do Cerrado – hoje ameaçado, patrimônio arquitetônico de igrejas em pequenas cidades do Centro-Oeste, festas populares e costumes cotidianos que fazem parte do jeito de ser e viver goiano e brasileiro. 

O desafio de pesquisar, restaurar e digitalizar um acervo de mais de 4000 negativos – alguns deles nunca revelados – são, sobretudo, um estudo das formas de fazer cotidianas do povo goiano e de suas riquezas, seja nas cidades, ou, no Cerrado das zonas rurais, por onde Constantino Neto andou nos últimos 45 anos.

 

Memórias

por Janaína Gomes Machado

Ainda lembro de histórias antigas, tempos em que uma imagem valia quase ouro, não no sentido paparazzi de existir. Quando o retratista chegava nômade e vendia seu registro, uma certa maravilha da humanidade, que, milagrosamente, "capturava a alma de todos àqueles” que se deixavam ser retratados. Não faltava à reunião da família tradicional brasileira, junto com o melhor traje de domingo, Festança boa, evento que só perdia para as imbatíveis quermesses.

Ao trabalhador da imagem, cabia todo o zelo com os negativos, as chapas, a alquimia da câmara escura, onde víamos a divina revelação surgir bem diante de nossos olhos. E pronto. Aquilo que era de carne e osso, se traduzia na imortalidade de um negativo e um papel fotográfico.

Passadas novas gerações, a câmera começou acompanhar mais direta- mente a vida das pessoas. Ainda que de maneira tímida, comedida, na dependência de estruturas de revelação, e, consequente, economia quanto às imagens a serem desveladas, Mesmo quando as polaroides já incitavam os primeiros gritos do "real time". 

Os tempos bem que são outros,,, Celulares à postos, tudo virou click, Milhões de toneladas de imagens circulam diariamente sobre nossas cabeças, em meio a selfs, memes, celebrities, realities, fakes news,,, Realidades virtuais que nos impelem a perguntar, afinal, o que não é mais imagem?

Entre time lines, in box, silêncios esquecidos, poder acessar as nuances de um Cerrado que ora se apresenta em forma de imagens, ressalta o compromisso de preservar não somente os filmes, mas aquela natureza que pautou as décadas de trabalho árduo de Constantino Neto.

Permanecer e se transformar, através do olhar é o convite. Com a imagem caleidos que sai do negativo, retorna aos olhos, invade os sentidos, encontra a poesia e rompe o véu do esquecimento, em forma de memórias literalmente fotográficas.

Clamemos, então, por mais memórias, Presentes neste recorte afetivo cultural ambiental, um respiro em cada imagem que se eterniza em forma de livro e inspiração para gerações futuras. Ao deleite não apenas dos que têm olhos, mas de todos de alma para reconhecer a matéria criativa humana, como a substância que nos une à maior obra prima a natureza viva em todos nós.

Constantino Neto no ano de 2021. Home grisalho, 73 anos, de óculos escuros com máquina fotográfica com lente objetiva cobrindo metade do rosto.
Constantino Neto em 1972. Homem de estatura média, trajando macacão, sem camistea e com máquina fotográfica com lente objetiva e alça no pescoço. Ao fundo edifício característico do autodomo onde se lê "Goiânia".
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© 2022. Fotografia | Memórias do Artista Gráfico Constantino Neto

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