Entrevista
Como foi o Início da sua carreira?
Constantino: Comecei na propaganda em 1969, na Cannes Publicidade como office boy. Como o meu foco era o Departamento de Arte, no meu tempo ocioso estava sempre ali, lavando pincéis limpando e ajudando em alguma coisa, logo fui promovido a assistente do Departamento de Arte, depois arte finalista. Em 1974, já era Diretor de Arte, e como essa função requer conhecimentos amplos de fotografia, cinema, arte gráfica, fiz vários cursos, inclusive Curso Livre de Fotografia, ministrado pela professora doutora Rosari Esteves.
O que é a fotografia para você e o porquê fotografar?
Constantino: Fotografia é uma arte, principalmente em outras épocas, onde o fotógrafo fazia suas chapas em vidro, preparando os negativos, emulsionando e sensibilizando, pra mim que gosto de imagens, é fantástico, emocionante quando você consegue um click, usando, luz, sombra e uma composição perfeita.
Foi o trabalho gráfico que te levou a fotografia ou a fotografia que te levou para a agências? As duas coisas dialogam ou não tem nada a ver uma com a outra?
Constantino: Já gostava de fotografia, quando fui trabalhar em propaganda, vi quanto as duas coisas combinavam, Antes os produtos, modelos, paisagens eram desenhados, com a fotografia perdeu se um pouca da arte, mas ganhou em fidelidade de cores, perspectiva, ficou mais dinâmico, tem tudo a ver.
Qual o tema que você prefere fotografar e porquê?
Constantino: Gosto muito de natureza e elementos que muitas vezes se transformam em imagens diferentes, Ex: árvores retorcidas, mortas, desmatamentos, e principalmente flores do Cerrado.
Já perdeu um momento que queria ter eternizado em um clique? O que seria?
Constantino: Tem momentos que muitas vezes duram segundos, já perdi muitos, por estar sem câmera, ou até parar o carro, flagrantes também são rápidos, Ex: pôr-do-sol, animais, insetos, pássaros.
Fale sobre alguma campanha publicitária que acha importan-te na sua carreira?
Constantino: Na minha carreira trabalhei em grandes campanhas¦ em Recife - PE, trabalhei na Gravatay, agência do Banorte, fiz grandes campanhas de veiculação nacional. Eu fazia mais a parte institucional, em Brasília pela Arte Propaganda, campanhas do varejo Jumbo Eletro, Arapuã, Onogás, tive várias peças premiadas. No institucional e comunitário também várias. Tem uma sobre Queimadas na época da Melva Propaganda, em dupla com o saudoso Carlos Jordão, foi muito marcante, para a Organização Jaime Câmara.
As Artes Gráficas, a Fotografia, assim como as demais artes, precisam de uma fonte de inspiração, como isto aconteceu e acontece em sua vida?
Constantino¦ O processo criativo é um pouco involuntário, então na maioria das vezes nos temos é que criar condições para que ele aconteça, Assim nas agências pela parte da manhã a gente faziam brincadeiras com a equipe, escutava o guarda, o pessoal da limpeza e muitas vezes pegávamos gancho para grandes ideias, Quando a ideia chegava, às vezes, tardiamente nos levava a fazer serão e viradas de noite.
Qual o sentimento despertado em apreciar suas obras, pra você e para os outros?
Constantino¦ Baseado neste processo criativo, então ele vinha sempre carregado de muitas emoções, que tentávamos transferir para as pranchetas, e, hoje para computadores, executando realmente obras de arte, Este processo sim é que determinava a transmissão de ideias e sentimentos que levam emocionar as pessoas, assim como acontece em todos os segmentos de artes, nas suas variadas formas.

1989 | Anúncio Institucional
Ouro Campanha institucional , Prêmio Jaime Câmara de Propaganda | Criação: Constantino Neto, Carlos Jordão, Cintya Feitosa, Maria do Carmo e Alessandro Jordão - Melva Publicidade

1982 | Anúncio Institucional
Ouro Campanha institucional , Prêmio Jaime Câmara de Propaganda | Criação: Constantino Neto e Helomar Antunes Godá - Hurricane propaganda
Hoje o banco de imagens de Constantino Neto serve como referência para sua paixão, além da propaganda, que é o desenho e pintura

1998 | Botina (fotografia)

2022 | Botina (desenho com lápis de cor)